Cafi, que se consagrou fazendo capas de discos dos grandes nomes da música brasileira, documentou Copacabana com o botão da poesia. O resultado é original, mesmo tendo como musa o cartão postal mais fotografado do mundo. Tudo é cor e exuberância tropical. O paraíso é aqui – ou era.

 

Por acaso, com aquela premonição que marca os grandes artistas, ele talvez tenha flagrado os estertores de uma civilização. Muitas das lojas vistas das fotos faliram com a hecatombe provocada pelo novo coronavírus. O que será de réveillons, carnavais, praias, botequins e demais aglomerações, tão cariocas e tão fotografáveis, depois do que aconteceu em 2020? Será que essas fotos, tão recentes, já são melancólicas nostalgias?

 

O que será do amanhã ninguém sabe, mas no futuro, quando alguém quiser saber sobre a felicidade de estar em Copacabana no início do século 21, não vai haver melhor túnel do tempo, mais sensível e bonito, do que este livro com as fotos do Cafi.

Joaquim Ferreira dos Santos